quarta-feira, dezembro 22, 2010

Bazar ou Basar? (haja alegria a pedido dos Leitores)

Depois das cores algo sombrias do Post de ontem vários Amigos leitores por aí telefonaram, queixando-se:

 -" E que era Natal, e que de tristezas já chegava. E que o Post era muito comprido e não havia pachorra. E que não vinham para aqui ler M*** destas, e que sff publicasse mas era Receitas e crónicas de vinhos. E na falta dessas alguma anedota..."

E esta hein? Como havia de ter sucesso neste País o "Amor de Perdição"  do Oliveira (puto) ? História triste e a acabar mal como a trampa, 4 horas e 20 minutos de filme??!!

País de ignorantes e energúmenos!

Mas como não quero perder a audiência, lá me vou vender como fez o Saldanha aos ingleses (embora neste caso teria sido porque o desgraçado  tinha muitas despesas...).

Podem-me chamar nomes mas não deixem de vir aqui ler...

Bazar ou Basar?

A língua portuguesa , nossa Pátria pessoana, não deixa de se enriquecer. Depois do famoso "Bué" de nostálgicas e africanas inflexões, surge no dia-a-dia popular jovem a palavra "Basar" ou "Bazar" , que significaria:  "Pirar-se, dar aos de Vila Diogo, Fugir, Estar no ir, Ala que se faz tarde, Vou-me embora que a velha não perdoa, Porra olha p'rás horas que são! , etc, etc..."

Tenho dúvidas sobre a correcta ortografia do prezado neologismo. Será Bazar ou Basar? A boa gramática diria "Bazar", mas a maltosa utiliza sobretudo com o "s". Dou aqui um exemplo de uma conversa de jovens pela Net, a qual retirei de um Blog juvenil, com a devida vénia:

"-1st of all oi quem es tu ?
-Pll,e verdade ke o ET vai acabar?e verdade ke o wolfenstein quake wars vai ser o jogo a substituir o ET?
 -Nao se admite!!!!!
- Pll a basar do ET pra ir jogar Quake wars!!!!
- O Et nao dura muito!!!
- Nao e justo!!!!!!!!!!! Alguem ke faca alguma koisa!!
- [ palavra feia que em calão significa procriar ] FALAI PORTUGUES DE GEITO CARAI IDE PARA A PRIMARIA APRENDER A LINGUA DE CAMOES COMO O LAVZZI DISSE DA-SE CARAI!!
 - sabes jeito ou geito? Tenta descobrir.

 - o morcon é do Porto... é outra nação se calhar lá disse "geito"...

Perceberam? Eu também não. Mas adiante que não estamos em Amarante.

Retomo a discussão - Bazar ou Basar? Defendo Bazar, nem que seja pelas reminiscências da palavra, dando asas à imaginação do vosso Blogger, sentindo-se outra vez em Istambul, atrás de um comprador de tapetes  compulsivo (roedor de nome), tentando deixar as infindáveis conversas à volta do chá de menta, na loja dos comerciantes turcos,  por uma escapadinha ao verdadeiro, ao Alma Mater de todos os Bazares do Mundo: O Grande Bazaar de Istambul!

O velho e grande  Bazaar de Istambul é uma maravilha de cair para o lado. Convém é que caiam de forma a que a carteira fique entre o corpo e a calçada, por causa de umas coisas... Mas de cair para o lado em todos os casos. Cito uma grande viajante e amiga, que prefere o anonimato, sobre esta maravilha turca:

"O Grande Bazar é um mundo especial, único, diferente, uma mistura de culturas.

As luzes da rua das joalharias, o entrar e tocar em alguma que esteja na montra, e ver que todas  que têm uma temperatura especial, e o jogo do regateio, tudo isto  são experiências que se podem viver ali. Além disso, há sempre algum dono que te convida a entrar no seu bar para beber um típico chá turco.
Ainda que já não seja o mesmo bazar de há uns anos, melhoraram os bares de dentro que agora são de design.
É maravilhoso passear pelas ruas em que podemos ver antiguidades, reparação de calçado, zonas de livros, enfim, cada passo é um momento inesquecível. E depois a tranquilidade com que vendem e com que te chamam à atenção para que observes bem os seus artigos é fantástica.
É um lugar que ou se  ama ou  se odeia. Eu apaixonei-me. "

Bem, eu também gostei, nem que fosse para "bazar" (lá está) ao Roedor e seus múltiplos encontros carpéticos, mas a bem dizer e confessando-me aos leitores, não vi assim tanta poesia disfarçada no Bazaar... Gente em catadupa, lojas , lojinhas e caves de Aladino não faltam, Os proprietários falam (ou dizem que falam) todas as linguas do mundo (embora a mim me tenham falado em castelhano de Sevilha). E aquelas mãozinhas nunca param de nos encantar (mão na carteira pessoal!).

Ali  tudo se vende. Pelo menos assim parece, desde peixe fresco e marisco até relógios Rolex em ouro (pelo menos assim parecem, repito). Penso até que será aquele um belo sítio alternativo para abastecimento de um conhecido nosso, que também prefere o anonimato, pessoa muito discreta, e  que se vai amanhando como pode a vender Audemars Piguet, Patek Phillippe e IWC importados directamente da Tailândia,  sem passar pela Suiça... E bem mais baratos...

E como já escrevi alarvices demais hoje despeço-me com um pequeno poema (uma jóia do português jovem actual) também ele descoberto no tal Blog juvenil atrás citado (não, não digo o nome do Blog, queriam ir lá gozar com os putos não? Pedófilos!!)

Trata-se, convém explicar, de um poema curto de um jovem a querer fazer as pazes com a sua "chavala":

que o nosso amor acabou
pois eu não tive a noção do seu fim
pelo que eu já tentei
eu não vou ve-lo em mim

Gostaram? Eu também não...

Até amanhã que me baso (ou bazo) para o work carai! (olha ke isto pega-se!! Da-se!!)

Um comentário:

Maigret disse...

Segundo a edição revista e actualizada de 2009 do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto editora, é "bazar - fugir precipitadamente; desaparecer; vazar (do quimbundo kubaza, romper)". Mais esclarecimentos estão disponíveis no excelente Ciberdúvidas da Língua Portuguesa em http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=25961
Despeço-me com o meu contributo para o "optimismo" reinante: Fugir, bazar, emigrar são verbos que não me tenho cansado de repetir aos meus filhos nos últimos tempos - fujam daqui para fora! emigrem! que era o que eu devia ter feito há anos atrás!